É um distúrbio benigno que ocorre na primeira das seis passagens de um sono profundo para um mais superficial: as funções motoras despertam, mas a consciência continua a dormir. Adicionado por uma pausa na respiração, por um barulho ou pelo próprio ronco, o corpo desperta.
Mesmo não estando acordada de verdade, a pessoa pode começar a andar e a falar. Normalmente a pessoa passa a se mexer durante o sono, senta-se na cama, levanta-se e sai andando, ainda dormindo. Sem o consentimento do cérebro, o indivíduo não faz nada muito complexo, mas é capaz de abrir portas e janelas, por exemplo.
Isto é, o sonâmbulo se movimenta, mas não sabe o que está acontecendo. Provocado por uma arritmia cerebral, geralmente hereditária, o sonambulismo ocorre em aproximadamente 20% das crianças de 3 a 10 anos, em média de uma vez por ano, e depois tende a desaparecer sem deixar vestígios.
Entre os transtornos comuns do sono estão a insônia, a apnéia do sono, a enurese e o bruxismo. Os Drs. Hobson e Silvestri descrevem transtornos do sono como "erros de tempo e de equilíbrio" do cérebro em suas transições entre o sono e a vigília [fonte: Hobson].
Pense na grande complexidade do cérebro e nas muitas tarefas que ele tem de desempenhar: ele mantém a respiração, as batidas do coração, registra todas as memórias de uma vida, permite o riso, o choro, o amor e a conversação. Pense em como você dorme, em como seu corpo transita entre sonhos e períodos sem sonhos. Agora pense como você acorda descansado em certos dias e ansioso em outros. Trata-se de processos complexos, controlados por um órgão complexo.
O que faz com que o corpo de um sonâmbulo se mova?
As pessoas costumavam pensar que os sonâmbulos realizavam seus desejos e medos subconscientes. Um exemplo é a Lady Macbeth, de Shakespeare, que durante o dia oculta as profundezas de sua traição, mas à noite, dormindo, confessa sua culpa.
Há quem associe o fenômeno ao ocultismo, como em "Drácula", quando o vampiro enfim consegue cravar os dentes no pescoço de uma Lucy adormecida. Há quem diga que se trata de uma resposta puramente física, ilustrada pela personagem-título de "La Sonnambula", ópera de Bellini cuja protagonista sofre toda sorte de dificuldades em função de ações inocentes que realiza durante o sono.
Há quem associe o fenômeno ao ocultismo, como em "Drácula", quando o vampiro enfim consegue cravar os dentes no pescoço de uma Lucy adormecida. Há quem diga que se trata de uma resposta puramente física, ilustrada pela personagem-título de "La Sonnambula", ópera de Bellini cuja protagonista sofre toda sorte de dificuldades em função de ações inocentes que realiza durante o sono.
Você provavelmente já viu sonâmbulos em filmes, descendo escadas com os olhos fechados e os braços estendidos. Mas agora você aprenderá o que acontece de fato.
O DSM-IV, um manual usado por profissionais de saúde mental, define sonambulismo de acordo com alguns critérios.
- Uma pessoa que sai da cama dormindo, em geral durante o primeiro terço do sono da noite.
- Outras pessoas encontram dificuldade para despertar alguém que esteja enfrentando um episódio de sonambulismo.
- A pessoa não se lembra do que aconteceu durante o episódio de sonambulismo.
- A pessoa acorda confusa depois de um episódio de sonambulismo.
- A pessoa não sofre de demência ou de outro problema físico.
- A insônia prejudica a vida social e profissional.
Agora vamos considerar alguns desses critérios. Durante o primeiro terço do sono da noite, seu corpo está em NREM (também se usa não-REM), ou seja, sono sem movimento rápido dos olhos, o que representa o estágio mais profundo do sono. O cérebro se aquieta, o que significa que a pessoa não está sonhando. Por isso, os sonâmbulos não estão implementando seus sonhos. Considere a situação da seguinte maneira: no sono não-REM, o cérebro não está muito ativo, mas o corpo está. No sono REM (com movimento rápido dos olhos), o cérebro está muito ativo mas o corpo não.
O cérebro resiste a ser despertado durante o sono profundo, o que explica por que é difícil acordar um sonâmbulo. E, caso isso seja feito, é provável que o sonâmbulo indique sinais de confusão por diversos minutos e pouco se lembre de qualquer coisa que tenha acontecido.
Em crianças
O sonambulismo ocorre mais freqüentemente na infância e é mais comum entre meninos do que entre meninasOs sonâmbulos em geral são crianças. Muito mais gente do que imaginamos viveu histórias de sonambulismo ocasional na infância - foram encontrados pelos pais caminhando no jardim da casa ou passeando na rua de pijama. Geralmente, as crianças superam o problema sem intervenção. A população adulta de sonâmbulos é bem menor. O sonambulismo também pode ser uma questão que afeta toda uma família e é mais freqüente entre os meninos do que entre as meninas.
Devemos ou não acordar um sonâmbulo?
A idéia de que não devemos despertar os sonâmbulos é um mito, mas assustar a pessoa é uma péssima idéia. O melhor a fazer é conduzir o sonâmbulo gentilmente de volta à cama. A maior parte das pessoas só passa por um episódio de sonambulismo por noite, de modo que é improvável que voltem a se levantar.
As pessoas costumavam pensar que os sonâmbulos estavam colocando em prática os seus sonhos. Outra idéia era a de que o sonambulismo tivesse alguma relação com a epilepsia (em inglês), histeria, distúrbios dissociativos ou mesmo nossos desejos secretos.
A verdade é que ninguém sabe exatamente o que causa o sonambulismo, mas discutiremos algumas possibilidades.
Mencionamos anteriormente que o sonambulismo ocorre nos estágios mais profundos do sono, os estágios 3 e 4, quando as ondas cerebrais são muito lentas. Durante o dia, o cérebro é uma colméia de atividade mas, durante o sono não-REM, ocorre o contrário. O corpo, no entanto, continua ativo e não se aquietou completamente da agitação vivida ao longo do dia. O que temos, portanto, é um corpo ainda capaz de movimento acoplado a um cérebro sonolento.
Estágios do sono
Os profissionais de saúde mental se referem ao sonambulismo como um "distúrbio de excitação", o que significa que alguma coisa faz com que o cérebro desperte do sono profundo, deixando a pessoa em um estado de transição entre o sono e a vigília.
O fato de que a maioria dos sonâmbulos são crianças é significativo, especialmente porque o problema desaparece com o crescimento. O cérebro de uma criança se desenvolve com muita rapidez e está programado para aceitar toda espécie de estímulo. Bebês crescem e se tornam alunos de jardim de infância em apenas cinco anos - você acredita que terá desenvolvimento cerebral equivalente como adulto, nos próximos cinco anos?
Há quem sugira que o cérebro da criança é simplesmente imaturo demais para compreender os ciclos de sono e vigília. Outros propõem que, dado o rápido desenvolvimento das crianças, talvez certas áreas do cérebro superem outras em termos de desenvolvimento, ou determinados aspectos de desenvolvimento ganhem precedência.
O sono não-REM também é o período em que o corpo age para reparar os danos sofridos e libera hormônios, entre os quais os hormônios do crescimento. É possível que a liberação de hormônios tenha alguma relação com a excitação que desperta alguém do sono.
A maioria dos sonâmbulos adultos já o eram quando crianças - o problema raramente surge na idade adulta, a não ser como sintoma de outro problema. As crianças tendem a passar por mais casos de sonambulismo se estiverem fatigadas ou estressadas. Os mesmos fatores se aplicam aos adultos, mas determinados medicamentos, o uso de álcool e doenças que causem febre também podem contribuir.
É claro que o sonambulismo não é tão inofensivo para certas pessoas. Há vínculos entre sonambulismo e problemas cerebrais orgânicos como os males de Parkinson e de Alzheimer. Caso você tenha um filho sonâmbulo, é provável que ele supere o problema sem intervenção, ou com a ajuda de um cronograma regular de sono e esforços para a redução de estresse. Caso um adulto comece a enfrentar episódios de sonambulismo, o aconselhável é procurar um médico.
Assassinos sonâmbulos
Alguns sonâmbulos vão além de passear pela casa durante o sono. Um homem de Manchester chamado Jules Lowe assassinou o pai enquanto dormia e foi inocentado. Scott Falater, um morador do Arizona, usou o sonambulismo como defesa depois de esfaquear a mulher 44 vezes, mas foi considerado culpado. Não se trata de casos isolados. O psiquiatra Peter Fenwick reporta casos de homicídio cometido por sonâmbulos desde o ano 1600, quando um cavaleiro esfaqueou um amigo e foi considerado culpado. A primeira menção a alguém absolvido de uma acusação de homicídio devido a sonambulismo, nos Estados Unidos, parece ser o caso de Albert Tirrell, acusado de assassinar sua amante em 1846.

Alguns sonâmbulos vão além de passear pela casa durante o sono. Um homem de Manchester chamado Jules Lowe assassinou o pai enquanto dormia e foi inocentado. Scott Falater, um morador do Arizona, usou o sonambulismo como defesa depois de esfaquear a mulher 44 vezes, mas foi considerado culpado. Não se trata de casos isolados. O psiquiatra Peter Fenwick reporta casos de homicídio cometido por sonâmbulos desde o ano 1600, quando um cavaleiro esfaqueou um amigo e foi considerado culpado. A primeira menção a alguém absolvido de uma acusação de homicídio devido a sonambulismo, nos Estados Unidos, parece ser o caso de Albert Tirrell, acusado de assassinar sua amante em 1846.
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